quinta-feira, 9 de julho de 2009

Kd a história do bodyboard?


Eu aprendi na escola que a história serve para que, através do conhecimento do nosso passado, possamos compreender melhor o nosso presente e, quem sabe, até especular sobre o nosso futuro.

No bodyboard, acho que a história anda um pouco esquecida. Quando se trata de atletas de fora, não vejo a molecada comentando na praia sobre ídolos do passado. Claro, Mike Stewart é um caso raro, pois ele é história viva do esporte(uma delas). Mas é lenda viva por estar na ativa, pois todos os bodyboarders profissionais que penduraram as nadadeiras estão esquecidos.

Ninguem fala mais de Ben Severson, dono de um estilo único e um gênio nos tubos. Um cara que sempre deu trabalho a Mike em Pipe ou em qualquer outro pico. Arrisco dizer até que muitos atletas hoje, não sabem que BSD é a sigla para Ben Severson Design, ou seja, a marca é do cara. Todos sabem que MS é do Mike, mas será que se ele estivesse aposentado , todo mundo saberia que é dele?

Será que o cara precisa estar na ativa pra ser lembrado? Alguém da nova geração sabe que Pat Caldwell, um cara de quase 2 metros de altura, magro como um bambú, foi o inventor do el rolo?

Keith Sazaki, Jay Reale, Kainoa Macgee, gênios do drop knee, alguém os conhece? Free surfers como Haole Reeves, Seamas Mercado, Jack The Ripper....... esquecidos.

Alguém credita ao Brian Wise a invenção do ARS?Até os 18 anos, Mike dava normal com a mão !
A gente hoje vive no auge da performance no esporte, mas ninguém sabe de onde vieram as manobras.

Mas isso não é só culpa dos atletas. A mídia tem responsabilidade deste resgate. Dizem que no programa Woo Hoo passam matérias de bodyboard sobre o antigo programa Realce da record. Eu ainda não vi porque aqui em casa uso Sky, mas tenho vontade de rever vídeos antigos e atletas jurássicos. Se eles realmente reprisam os programas, parabéns pela iniciativa.

Sou duma época que a gente aprendia as manobras vendo vídeos ou esperando Paulo Esteves cair em Itacoá, pra gente babar e aprender. Por falar nisso, alguém sabe quem é ele?Ele é simplesmente o primeiro bicampeão profissional do Brasil, de Niterói ok?

Nomes que fizeram história no Brasil e no mundo como Xandinho, Kiko Ebert, Kiko Pacheco, Cláudio Marques não andam na boca da molecada. Se a mídia não ajuda, então é função e obrigação nossa ( dos mais velhos) tentar resgatar isso.

Estes caras aprenderam a pegar onda sozinhos, desenvolveram seus estilos por conta própria, numa época em que se espelhar em alguém era olhar o seu reflexo na agua do mar.

O mérito de Guilherme Tâmega é inquestionável, mas até ele deve ter se inspirado numa manobra ou outra destes dinossauros que mencionei acima. Guilherme também, inclusive e principalmente, é exemplo de superação, pois teve que se adaptar e aprender depois de marmanjo, novas manobras que foram surgindo.

É bem mais fácil aprender a dar ARS com 14 ou 15 anos, do que com 19 ou 20. A geração nova tem tudo de mão beijada, como: pranchas de alta tecnologia, acesso a fotos e filmagens para checar e corrigir seus erros e vícios e etc.

Nos anos 80, uma filmadora custava uma fortuna, e pra gente assistir ao vídeo com nossas performances, tínhamos que implorar para o pai de um amigo rico nos filmar também.

As maquinas fotograficas também eram caras e ter acesso a fotos de freesurf ou de campeonato era raríssimo.

O curioso é que naquela época, todos os atletas que tinham o incentivo dos pais filmando da areia com aqueles trombolhos de 5 quilos, se uma forma ou outra se destacaram no esporte. O que na nossa época era um detalhe importante no desenvolvimento do atleta, hoje virou parte do cotidiano.

Bom, já falei demais. Só queria registrar aqui, em suma, que nós não podemos deixar a história do esporte de lado. Não podemos esquecer nossos ídolos do passado pois, se o esporte chegou onde chegou, é porque lá atrás teve gente que começou do zero, sem referência alguma.

Parabéns pra estes caras ! Parabéns ao esporte ! Mas não vamos esquecer deles.

Arthur Steele

Onde estão os barrigoarders?


Ironicamente, a ABBN voltou a ativa graças a velharia que pegava onda desde os primórdios do BB nos anos 80. Por causa da comunidade que criei no orkut, que foi agregando nossa turma das antigas, acabei fazendo o G80 em 2005 com 2 etapas para os Masters.

Como a molecada estava carente de eventos em itacoá, resolvi fazer também a categoria Open. O evento deu tão certo que em 2006 eu fundei a ABBN novamente e dei inicio ao circuito.

A grande ironia disso tudo é que com os anos, a galera master foi sumindo do circuito e outras categorias foram ganhando força, como a iniciante e a júnior. Não que isso não fosse óbvio de acontecer - no caso das categorias de base - mas não imaginava que a nossa fosse perecer.

Quando em 2008 chegamos ao contingente miserável de 5 atletas master numa etapa, vi que estava na hora de recuar e repensar sobre a manutenção da categoria.

Não deu outra. Em 2009 decidi acabar com a mesma. Uma pena, pois era um prazer muito grande ter Gugu, Paulo Esteves, Roberinho, Madeira, Léo Lobo, Robson, Menor , Lauro, Mosca, Palmito, Rodrigo Correia, Rodrigo BA, Ricardo Tartarelho e tantos outros, brincando dentro d`água.

Desculpa eu ouço várias, para o desaparecimento da galera. “Minha esposa estressa muito!” ou “Tô sem preparo físico!”.

Na verdade, nenhuma destas desculpas realmente retrata a verdade. A mais pura, simples e cruel verdade é que os barrigoarders (híbrido de barrigudo e bodyboarder - o qual eu sei que me encaixo) não tem mais saco de acordar cedo pra cair em itacoá, pois se não for cedo não adianta.

Eu às vezes chego na praia às seis da manhã e já tem 15 malucos na água ! Isso é o que acontece quando a população cresce em proporções absurdas, enquanto a praia continua com seus míseros mas disputadíssimos 800 metros de comprimento.

Fico imaginando que ondas nosso filhos vão surfar daqui a 10 anos.........

Fico imaginando se eu vou estar surfando daqui a 10 anos........

Fico imaginando porque as praias do Imbuí e do forte Rio Branco não são públicas.......

Uma coisa é certa: os surfistas envelhecem com mais dignidade que os bodyboarders.

Afinal, pra cada 20 coroas que surfam de prancha em itacoá, vejo 1 coroa bodyboarder, e olhe lá !

E olha que os coroas do surf são bem mais coroas que os barrigoarders !!

Espero que a próxima geração de coroas do bodyboard seja mais assídua na praia do que a nossa está sendo.

Obs: Gostaria de excluir da categoria barrigoarder os atletas Gugu Barcellos, Giu Lara e Guilherme Correia, pois todos são da minha geração, continuam surfando bem, e estão “ NO SHAPE”. Coincidência ou não, são profissionais !!